29 de mar. de 2014

FLORES

As flores não nasceram para ser pisadas.
Arcaica a ideia de jardins abandonados,
Não habitados.
Jardins existem
Onde as sementes caem de mãos dadas,
E os pés acolhem os que não desistem.

As flores morrem caladas e solitárias.
Os homens sofrem mesmo sem dor.
Fazem terror,
Desarmam a vida,
Inclementes, juntam-se aos iludidos párias,
Que esqueceram as flores na despedida.

As flores perfumam a prenhez da terra.
Aos caprichos de lágrimas e orvalhos.
Brotam carvalhos,
Sobre a quietude,
Onde o amor nunca se armou para a guerra,
Nem o instinto da fera perdeu a virtude.

As flores são serenas na vida e na morte.
Nas núpcias são brancas, na morte é betume
Alheio é o perfume,
A ornar a eternidade,
Para galgar em cores o último desígnio da sorte.
Com pesar, num buquê, sem escolher a idade.

As flores se deleitam num abraço sincero.
Nunca no crime em meio a páginas envelhecidas,
Sem ser suicidas,
Nunca pecaminosas.
Espreitando um fervoroso olhar singelo,
Numa amálgama fortuna de rosas.